Porque gosto de escrever:

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"
Luís Fernando Veríssimo

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Duas e Seis...

Os meus olhos são figurantes diante de tanta escuridão. É madrugada...O único ponto visível quando entro em casa é o relógio do dvd player: duas e seis da manhã. Hora engraçada e verde...
Tateando o escuro a procura do interruptor, aquela hora não sai da minha cabeça. Foi o exato momento em que voltei para a realidade, as últimas horas passadas em companhia das minhas amigas. Momentos de relaxamento, onde somente o inviável foi falado, nada de namorados, amantes, compras ou acessórios.
Foi a primeira vez que tive realmente contato com as duas e seis da manhã. É claro que sei que a hora sempre existiu, mas passei desapercebida por todos estes anos, sem dar-me conta que este tempo também me pertence. Ou pertencia...
Talvez o fato de que na maioria das vezes, neste horário, sempre estive dormindo seja uma boa resposta, mas a sonoridade é de uma desculpa qualquer. O tempo não é estático, a voracidade de segundos e minutos consomem todos os meus pensamentos e na totalidade do raciocínio o dia vai amanhecendo. Porque duas e seis e não uma hora cheia qualquer?
O relógio continua com o seu infindável tic-tac digital. Duas e seis não existe mais... Talvez quisesse dizer algo naquele tempo e como a sensibilidade faltou-me no momento, duas e seis será um tempo como outro em que já me acostumei ao longo do meu dia.
Pode até ser, mas duas e seis será um bom título para uma poesia...

Um comentário:

Cleide Fernandes disse...

Gostei muito do texto, apenas mudaria o final
Pode até ser, mas duas e seis será um bom título para uma poesia...

Pode até ser, mas duas e seis será um bom título para um poema.

Abraços, amigo!