Eles se gostavam. Gostavam de estar sempre um com o outro. Outro dia estavam passeando de mãos dadas. Dadas as devidas proporções, eram um casal muito bonito. Bonito mesmo foi o dia do primeiro beijo. Beijo que Maria queria sempre mais. Mais e mais beijos. Beijos que ele não negava. Negava se a família dela estivesse perto. Perto da casa dela então, nem pensar. Pensar nestes momentos era o que ele não queria. Queria era namorar. Namorar é que era bom. Bom mesmo foi o dia em que José a viu. Viu Maria na rua. Rua das flores, número 150. 150 foi o número de batimentos do seu coração. Coração que ficou apaixonado. Apaixonado por aquela mulher. Mulher morena, cabelos encaracolados, boca carnuda e pés maravilhosos. Maravilhosos mesmo. Mesmo estando ela indo em direção diferente da dele, resolveu falar com ela. Ela achou aquilo muito estranho. Estranho um cara dizer que dia bonito, armando essa chuva toda, pensou. Pensou em nem dar confiança. Confiança que ele conquistou. Conquistou com seu charme e seu jeito. Jeito meio esquisito de puxar conversa com uma mulher, mas que tinha dado certo. Certo é que marcaram o primeiro encontro. Encontro em uma praça. Praça Armando Brochado. Brochado também era o seu sobrenome. Sobrenome este, que quando ela ouviu, a barriga doeu de tanto rir. Rir nesta hora é o que ela não poderia. Poderia ter feito um comentário talvez, mas rir de gargalhar, não. Não aguentou vê-lo com a cara triste. Triste foi esta cena. Cena em que ela pediu desculpas. Desculpas que ele aceitou. Aceitou também um beijo. Beijo este, que causou um certo espanto. Espanto pois a partir deste beijo ficariam apaixonados. Apaixonados pelo jeito, pelas manias, pelos carinhos, pelos cheiros um do outro. Outro dia os amigos comentaram sobre casamento. Casamento? Casamento ainda não pensavam; era cedo. Cedo para que esta estória termine. Termine e tenha um fim. Fim.
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