Porque gosto de escrever:

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"
Luís Fernando Veríssimo

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Olhar...

Achei o seu olhar. Parecia que estava tão longe. Na imensidão do infinito, diria o poeta. Poderia estar em qualquer lugar, mas sempre esteve junto ao meu coração e eu nem percebi. Procuro este olhar sempre. Atrás dos montes, no oceano, no horizonte. Tudo figuras de linguagem. Ele está mais próximo. Todos os dias no ponto de ônibus, na esquina, no trabalho, no sorvete, no mercado, no meio de uma música...não me importa o lugar, o local; me importa somente o seu olhar.
Olhar brilhante, intenso, imenso, que possui todo o significado da minha alegria e da minha felicidade. Mesmo que eu demore anos para descobri-lo. Permanece na minha direção, como que vidrado, hipnotizado com as minhas palavras. Eu também estou. Sinto assim e por muito tempo permaneço imóvel, envolvido pelo teu olhar. Alguns instantes procura a minha boca. E eu a sua. Como a desejar que elas se entreguem com toda a paixão. É uma força interessante e nada mais importa, pois assim também sinto. E assim desejo.
Pelo olhar nos sentimos. Procuramos respostas para muitas sensações. Não há o porque de se preocupar. Nestas horas não se deve pensar. Só sentir. E olhar. Não procurando defeitos. Ou qualidades. Olhar somente para os olhos. E para a boca de vez em quando. Se misturar aos mistérios do gostar. Se sentir leve e deixar que todas as sensações cheguem ao coração. Tudo através do olhar. O olhar assume várias formas e cores. Ele muda constantemente, pois você ou eu merecemos conhecer todos eles.
Da admiração ao espanto, da felicidade ao encanto, eles sempre vêm acompanhado de sorrisos e palavras que nos fazem embalar. São apenas coadjuvantes no caminho do teu olhar. Ou do meu. Me despeço de você ou de mim. O seu olhar me acompanha. Seja no caminho, até eu ou você não existir mais no campo da visão, ou nas minhas lembranças, onde, e nunca mais, vou me desfazer do teu olhar. Quando sinto que ele me foge, fecho os olhos, e a saudade de novo o traz e lhe recebo com um sorriso. Um sorriso no olhar.

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