Porque gosto de escrever:

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"
Luís Fernando Veríssimo

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Águas de Sentimentos...

Dedico-me ao mar de meus pensamentos e nas ondas de memórias, trôpegas e cristalinas, você lá está, indefectível ao vento, mas saborosa no gozo da água pura e límpida. Você permanece assim durante um bom tempo, e, mesmo quando o tempo passa sob a forma de insinuantes figuras a preencher os meus olhos pelo caminho, não consigo desviar o meu barco de sua direção. Gostaria de saber aonde isso irá me levar, o vento sopra a vela de um lado para outro e a ansiedade me causa um frio na espinha, frio gelado e incalculável que transforma todos os meus sentidos em portos de adoração a você.
O meu destino parece certo: um lugar simples e uniforme, preenchido de azul por todos os lados e onde, em uma ilha, aguardo a sua presença. E quando lá estou, os meus olhos fixam-se no horizonte a procura do seu sorriso, que ainda me falta na sua imagem, pois tenho receio de que não me compreenda. Ás águas estão mais agitadas, as pessoas querem trazer-me de volta, mas luto contra isso e o que me importa é você. E num impulso incontrolável, atiro-me na água, que agora revela-se turva. Prendo a respiração e, mesmo não enxergando, nado com intensidade, vou a todas as direções porque tenho que encontrá-la.
A água embala o meu corpo e vou abrindo caminho com braçadas largas e cronometradas, porque sei que é somente a ansiedade que não me deixa sentir a sua presença. E de repente, avisto-a fora d’água. A respiração já me falta e você estende a mão em minha direção. O azul torna-se cristalino, a sua imagem revela-se límpida e prazerosa, e todo o resto não importa, nem mesmo o frio que sinto quando saio da água, porque você me recebe com um abraço, aquecendo-me por completo.
O tempo preenche o futuro no ritmo de nossos passos e no embalar das mãos dadas. Os minutos e os segundos tornam-se cúmplices de ternura e afeto. Pequenas ondas margeiam o caminho sob nossos pés e no silêncio da noite, nossos corações soam compassos de amor e afeição. Mas não me entrego totalmente. Não posso. E você compreende. Por isso, toda a energia que recebi, eu a uso para me afastar e correndo o mais rápido possível, mergulho e ganho o fundo das águas cristalinas.
Quando volto à superfície, já estou na quilha do meu barco e ainda posso ver e sentir os seus cabelos esvoaçando com o vento. Você me acena com um sorriso e eu retribuo e o mesmo vento começa a embalar a vela para mais distante do seu sorriso. E as águas se tornam tranquilas mais uma vez...

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